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Aguadinha é apenas um dos inumeráveis miradouros da ilha que, como tantos outros, oferece um espectáculo singular. O formato cónico confere à ilha a peculiaridade de ser uma plateia em anfiteatro, ao mesmo tempo que é um palco de enredos e espectáculos. A vista panorâmica que se tem no Fogo é bastante alargada. Ela estende-se, quase de qualquer lugar, tirando o caso de Chã das Caldeiras, por uma paisagem que vai do cume da Serra, passando pela imensidão do mar até à linha do horizonte- onde o mar toca o céu. Essa dadiva confere ao observador uma sensação extraordinária de liberdade e uma fecunda riqueza imaginativa. O contemplador não se sente sobreposto, abafado, encoberto ou asfixiado por nada. Esta constante experiencia é uma das razoes que conferem ao foguense o seu carácter de imaginação, de liberdade, de criatividade e de aventuras.
De manhã, quando o sol prepara para atapetar a ilha de ouro, o miradouro da Aguadinha oferece ao visitante a sua recita particular. Quase todos que lá vão entram em êxtase. A brisa matinal, por entre folhas, pétalas e flores, sussurra um embalo que, lá no fundo, é acompanhado pela musicalidade das aguas que caem no tanque interior do edifício e pelo barulho distante do tráfego. Começa assim, o deleite sobre toda a extensão de uma paisagem exclusiva.
Do lado Oeste, sentado ou debruçado sobre o parapeito sobranceiro a Bila Baxo, em pouco tempo, o observador é levado pela sensação de se estar a flutuar, através do tempo, por cima dos telhados dos históricos sobrados de São Filipe. Estes, suportados pelos pilares das magnificências em que foram edificado, em desafio ao tempo e aos tempos, anunciam saudades, orgulho, historia e identidade do seu povo, através da sua beleza, harmonia e ordem. A viagem continua pelo imenso mar pintado de azul, carregando no seu dorso os ilhéus e a bela ilha Brava, estendendo-se, ainda, até a linha do horizonte.
Às ilhargas da Aguadinha, desenrola a vida na movimentada rua que passa pela delegação da shell, que liga o porto ao aeroporto e que ramifica uma saída para o Sul do interior da ilha. Se a Oeste, a posição altaneira sobre Bila Baxo favorece a sensação de estar a flutuar –se por cima da paisagem, o lado oposto, voltado para Leste, contraria esta impressão com uma outra representação. Aqui, depara-se com um ecrã enorme exibindo um cenário que se estende até a serra. Ao contrario da primeira encenação, testemunha constante de um passado, este ecrã mostra o filme de um panorama que se sujeitou a mutações constantes, um depoimento de épocas posteriores a dos sobrados.
Aguadinha é um vasto depoimento que ninguém esquece. Fala sobre as diferenças da ordem, da estética, da disciplina e de grandiosidades de épocas diferentes da nossa historia; fala da imponência da nossa ilha; confidencia, através do mar, as saudades que a partida, por séculos, erigiu no nosso intimo; e, mais do que tudo, desperta, na profundeza das nossas entranhas, as chamas do maior dos sentimentos- O AMOR.
Categories: Artigos
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